Crianças indígenas sofrem lesões após uso de agrotóxicos perto de aldeia em RO
O Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça Federal contra o proprietário de uma fazenda e dois arrendatários acusados de utilizar agrotóxicos próximos à aldeia Aperoí, da etnia Puruborá, em Seringueiras (RO). Segundo o órgão, a pulverização aérea teria provocado intoxicação em crianças, adultos e idosos indígenas, causando feridas na pele, dores de cabeça e náuseas. O MPF afirma que a situação faz parte de um conflito envolvendo pressão para expulsão dos indígenas da região.
De acordo com as investigações, o Sítio Boa Esperança, onde há cultivo de soja, fica ao lado da aldeia com cerca de 40 indígenas. A Agência Idaron identificou diversos agrotóxicos no solo, incluindo produtos classificados como extremamente tóxicos. O órgão também autuou os responsáveis mais de uma vez por contaminação ambiental e riscos à saúde da comunidade.
O MPF aponta ainda que, mesmo após recomendações e tentativas de acordo, os produtores teriam intensificado o uso de agrotóxicos entre 2024 e 2025. O órgão relaciona o caso a outros episódios de violência e intimidação, como incêndios, tiros próximos às residências indígenas e a destruição de uma maloca considerada sagrada pelos Puruborá.
Além dos impactos à saúde, a ação destaca danos ambientais causados pela plantação de soja em área considerada sensível e próxima ao Rio Manoel Correia. O MPF pede indenização de R$ 2 milhões por danos morais coletivos, compensações financeiras às famílias afetadas, proibição do uso de agrotóxicos e recuperação das áreas degradadas.
